quarta-feira, 24 de junho de 2015

VIDEOLAB PARTÍCULA #03: ROMPESCHIENA, O GRANDE MÁGICO



O projecto Videolab apresenta Rompeschiena, mago, médium e vidente, personagem simbólica criada pelo artista José Vieira.
Há pouco mais de 3600 milhões de anos, no universo em formação, a vida surgiu na Terra, feita de pó de estrelas. Das cinzas nasceu o Homem e às cinzas regressa a cada ciclo de existência. E, no espaço comportado entre o nascimento e a morte, desde os tempos dos druidas, magos e feiticeiros, o Ser Humano, ínfimo na solidão inorgânica do universo estelar, procura na magia e na intuição, tanto quanto na ciência, a razão da sua condição mortal.

A modernidade trouxe consigo a pressa e a pressa impôs o materialismo nos hábitos e na arte, afastando a Humanidade da espiritualidade característica de tudo o que é humano. O equilíbrio entre o conceito e forma do objecto artístico desfez-se, acentuando-se o conceito em prejuízo da expressão e transformando a obra de arte numa forma de comunicação, num produto a comercializar, longe do objectivo primeiro que é o da partilha de sensações - o observador foi encorajado a compreender uma obra que à partida já lhe é destinada, sem sentir a linguagem não-verbal, intuitiva, impulsiva, instintiva que penetra os sentidos e acorda, naquele que a vê e a sente, a comunhão com o universo.

Do mesmo modo que os magos, médiuns e videntes são personagens reais que dominam o conhecimento das leis da natureza, dotados da visão do passado do presente e do futuro, o Artista no seu estado puro é visionário, conhecedor dos mistérios da vida e da morte, o Homem que busca através do físico e do real a visão do todo e a espiritualidade.

José Vieira

Nasceu na Guarda em 1962, é mestre em comunicação estética pela Escola Universitária de Artes de Coimbra.
Iniciou o seu trajecto artístico na pintura, que abandonou em 95 para se dedicar às artes digitais. Neste contexto cria em 2005 o festival FONLAD (do qual é director artístico), o Museu Virtual do Artista Desconhecido em 2008 e o Web Art Center em 2010. Neste contexto comissariou várias mostras virtuais, as quais se destacam o Fake Festival (2011) e a Non Biennial (2012-2014) para o Wen Art Center.
Desiludido com o sistema artístico actual, envereda por projectos virtuais que apresenta sob a forma de algumas instalações, como é o caso do projecto Unknown Artist apresentado em várias exposições colectivas como nos “Actores Urbanos” (Galeria Sete, Coimbra, 2007; Galeria de Arte do TMG, Guarda, 2008; Galeria Novo Século, ACERT, Tondela, 2009); “No More Trade Mark Artists” (MIDAC, Belforte del Chienti, Itália, 2009 e Bienal do Porto Santo, 2011).
Participa igualmente em variados festivais internacionais como no Cologne OFF (2012, 2014), Miden (2013), Simultan (2014), etc divulgando o seu trabalho em variados países da Europa, Austrália e América.
A partir de 2013 um novo projecto começa a tomar lugar, essencialmente após o esgotar das premissas elaboradas em Uknown Artist: surge Rompeschiena, numa tentativa de revitalizar o espiritual na Arte.

ROMPESCHIENA, O GRANDE MÁGICO
Espaço Particula Coimbra, 27 Junho 2015, 21h30

Instalações, video, fotografia e performance: José Vieira
Dança Contemporânea: Bárbara Cordeiro (Flic-Flac)
Texto: Maria Clara Maia
Apoio à produção: Sérgio Gomes, Maria do Mar
Organização: Projecto Videolab
Apoio: Partícula Coimbra

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